
Quando se pesquisa Portugal no Google, aparecem as coordenadas.
Latitude 39° Norte. Longitude 8° Oeste.
Mas o que devia aparecer logo era:
Portugal fica precisamente na cauda da Europa.
Não só no mapa.
Também na escolha de medicamentos genéricos.
Enquanto muitos países europeus perceberam que pagar menos pelo mesmo medicamento é uma escolha inteligente, Portugal continua a desconfiar.
Como se mais barato fosse pior.
Não é.
Um medicamento genérico tem a mesma substância ativa, a mesma eficácia e a mesma segurança do medicamento de marca.
A principal diferença está no preço.
Mesmo assim, continuamos muitas vezes a escolher o mais caro.
Não porque trate melhor.
Porque conhecemos o nome.
Pagamos mais pelo mesmo
Em muitos países, o genérico é a primeira opção.
Em Portugal, continua a ser tratado como alternativa.
Primeiro vem a marca. Depois perguntam se queremos uma opção mais barata.
Como se poupar fosse arriscar.
Como se o genérico tivesse menos medicamento lá dentro.
Não tem.
Tem menos preço.
Gastar mais também custa saúde
O dinheiro gasto sem necessidade num medicamento mais caro faz falta noutro lugar.
Numa consulta.
Num exame.
Num tratamento.
Num profissional de saúde.
Numa lista de espera.
Na saúde, pagar mais pelo mesmo não é apenas gastar mal.
É deixar de tratar melhor.
Desconfiamos da poupança
Portugal tem uma relação estranha com o preço.
Quando é mais caro, parece melhor.
Quando é mais barato, procuramos o defeito.
Confundimos marca com qualidade.
Hábito com segurança.
Preço com eficácia.
E continuamos a pagar por essa confusão.
A primeira opção deve ser a escolha inteligente
Sempre que exista um medicamento genérico adequado, seguro e eficaz, essa deve ser a primeira opção.
Não a segunda.
Não a alternativa barata.
A primeira.
Os medicamentos de marca devem continuar a ser escolhidos quando existe uma razão clínica.
Mas conhecer o nome não é uma razão clínica.
Gostar da caixa também não.
Portugal está na cauda da Europa na escolha de medicamentos genéricos.
Podemos continuar a pagar mais pelo mesmo.
Ou podemos finalmente fazer a escolha inteligente.
Porque escolher genéricos não é escolher menos.
É conseguir tratar mais.